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05/09/2018
Presidente do Sistema OCB ressalta contribuição do cooperativismo para o país
 

Com mais de 30 anos de experiência no cooperativismo, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, fala sobre a relevância do segmento para o desenvolvimento do país, das cidades em que as cooperativas atuam e de cada cooperado. Segundo ele, 25% da população conhece o valor da cooperação, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o setor faça parte da vida de cada vez mais brasileiros. Daí surgiu o Movimento SomosCoop, para valorizar o orgulho em integrar o cooperativismo e tornar o negócio cooperativo mais conhecido e reconhecido pela sociedade.

Agropecuarista e cooperativista, Freitas possui formação em Administração pela Universidade de Brasília (UnB). Está à frente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), desde 2001, e assumiu a presidência da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) em 2005. Em entrevista concedida aos veículos de comunicação do Sistema Ocemg, ele mostra toda sua experiência e conhecimento sobre o cooperativismo. Confira.

Na sua avaliação, em que estágio se encontra o cooperativismo brasileiro em relação ao mundo?
O cooperativismo brasileiro é forte. Os números mostram que pelo menos 25% da população conhece o valor da cooperação. Também apontam que ainda precisamos trabalhar para que mais pessoas percebam no negócio cooperativo uma alternativa viável para suas necessidades.Temos grandes demandas junto aos Três Poderes, como o reconhecimento do ato cooperativo e questões que envolvem aspectos regulatórios, que, quando resolvidos, viabilizarão ainda mais o desenvolvimento das cooperativas do país.

Aliás, nos mais de 100 países onde o cooperativismo já é uma realidade, as questões que envolvem leis e normativos aplicados ao nosso modelo exigem muito trabalho e empenho das lideranças. Evidentemente, no Canadá ou em lugares da Europa, esses gargalos já fazem parte da história, mas, mesmo com dificuldades, somos referência para países da África, onde a OCB tem desenvolvido um projeto com base nas nossas boas práticas. Já existe uma cooperativa funcionando em Botsuana, nos moldes brasileiros. Isso é a prova de que o cooperativismo é uma confraternização de povos ligados ao nosso jeito humano de fazer negócio, gerar renda e incluir as pessoas.

A economia colaborativa é um modelo que tem ganhado espaço no Brasil e no mundo. Como valorizar cada vez mais as cooperativas e mostrar para as pessoas que é possível que econômico e social caminhem juntos?
A gravidade da crise econômica mundial, medida principalmente pelas altas taxas de desemprego, além da crescente preocupação com o meio ambiente, fizeram com que, nas últimas décadas, as pessoas descobrissem e promovessem o consumo colaborativo.

Considerando os três pilares desse conceito de economia (o social, o tecnológico e o econômico), podemos afirmar que o cooperativismo, desde que nasceu, trabalha com o mais amplo respeito a esse jeito de produzir e de gerar riquezas.

A primeira cooperativa do mundo, ainda no século XIX, nasceu com essa proposta. Um grupo de pessoas que precisava ampliar seu poder de compra, diminuir riscos sociais e aproveitar tanto seu recurso financeiro quanto os demais bens de que dispunham. Desde então, essa tem sido a filosofia das cooperativas que surgem em diferentes regiões do mundo.
 
O slogan das celebrações do 96º Dia Internacional do Cooperativismo foi "Sociedades Sustentáveis Através da Cooperação". O que o senhor destaca como principais contribuições do cooperativismo para a construção de um Brasil sustentável?
Uma sociedade sustentável é caracterizada pelo equilíbrio entre produtividade e preservação dos recursos naturais e, ainda, entre o viés econômico e o social. Nas cooperativas, há mais de 200 anos isso é uma realidade. Então, no 96º Dia Internacional do Cooperativismo focamos em mostrar à sociedade o papel transformador das cooperativas na construção de um mundo mais justo, equilibrado e com melhores oportunidades para todos.

No Brasil, a celebração do Dia Internacional do Cooperativismo representou o esforço das cooperativas em realizar iniciativas voluntárias, duradouras e com impacto transformador na vida das pessoas que residem no seu entorno. Essas ações, inclusive, ocorrem ao longo de todo o ano e motivam os cooperados a trabalhar diariamente por um país melhor.

O movimento SomosCoop está envolvendo cooperativas, cooperados e Unidades Estaduais em todo o país para promover o conhecimento e o reconhecimento do cooperativismo pela sociedade. Qual o balanço e os próximos passos da iniciativa?
O SomosCoop surgiu da vontade das nossas lideranças em tornar o cooperativismo mais conhecido e reconhecido pela sociedade brasileira. Em 2014, após uma pesquisa mostrar que muita gente não conhecia o cooperativismo, decidimos rever o nosso posicionamento diante tanto dos cooperados quanto da sociedade. Foi aí que surgiu o movimento SomosCoop. Ele tem dois objetivos: valorizar o sentimento de orgulho em fazer parte do cooperativismo e tornar o negócio cooperativo mais conhecido e reconhecido pela sociedade, afinal, muita gente consome produtos ou utiliza os serviços de uma cooperativa e não se dá conta disso.

Reunimos, em um ambiente virtual, todo o material referente ao Movimento SomosCoop, a fim de facilitar para que Unidades Estaduais e cooperativas possam aderir ao movimento. Basta acessar o link e conhecer as histórias inspiradoras. Um dos destaques do movimento é uma websérie que está no sexto episódio.
 

 

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